junho 29, 2017

Opinião: Meridiano de Sangue, Cormac McCarthy

Título: Meridiano de Sangue
Autor: Cormac McCarthy
Editor: Relógio D'Água
ISBN: 9789896411886
Nº de Páginas: 368

Sinopse: Meridiano de Sangue baseia-se em acontecimentos históricos ocorridos na fronteira entre os EUA e o México em meados do séc. XIX. O autor subverte as convenções do romance e a mitologia do «Oeste Selvagem» para narrar a violência da expansão americana, através da personagem do juiz Holden, que nunca dorme, gosta de dançar, viola crianças dos dois sexos e afirma que não há-de morrer.

     Em Meridiano de Sangue, a ação ocorre durante a segunda metade do século XIX, na fronteira entre o México e o Texas. As autoridades mexicanas e texanas organizam uma expedição paramilitar, o chamado grupo Glanton, para matar tantos índios quanto possível. Tudo muda quando os assassinos de Glanton vão matando índios e puxando os cabelos para exterminar os mexicanos que os pagam. Neste contexto, conta-se a vida de um personagem sem nome (todos lhe chamam ´´o menino``), um vagabundo de quinze anos que está cercado no grupo de mercenários.
     A coisa peculiar sobre este conto assustador é que se apresenta sob a forma de um trabalho épico e que nos remete para a tarefa de forjamento da nação americana: a expansão da fronteira para o oeste e para o sul. Se esse processo for geralmente apresentado sob o dilema civilização-barbarismo, Glanton e seus homens seriam representantes de ordem e bem. Este paradoxo é incorporado em outro dos personagens centrais da novela, o juiz Holden, líder espiritual do grupo, um ser violento e cruel. Um homem enorme, calvo e albino sem pestanas ou sobrancelhas que nunca dorme e gosta de dançar e tocar violão. Ele viola e assassina filhos de ambos os sexos e afirma que ele nunca morrerá.
     É precisamente os enigmáticos monólogos do juiz Holden, em questões como a verdade ou a guerra, que fazem Bloom considerar esse personagem "um vilão digno de Shakespeare". Não menos realizados são os diálogos (breves e precisos), os retratos meticulosos e as descrições poéticas da paisagem desértica. Em suma, esta é uma excelente obra, e leitura essencial para todos os interessados na narrativa atual.
Cormac McCarthy nasceu em Rhode Island, em 1933. Estudou na Universidade do Tennessee, que deixou para ingressar na Força Aérea. 
Vive actualmente em Santa Fé, no sul dos Estados Unidos, com a mulher o filho. É autor de nove romances. Na Relógio D’Água tem publicados O Filho de Deus, O Guarda do Pomar e Meridiano de Sangue. Recebeu o Prémio Pulitzer em 2007.

Podes encontrar a nossa opinião sobre outro dos seus títulos ‘’A Estrada’’, aqui. 

junho 22, 2017

Opinião: O Olhar da Mente, Hakan Nesser

Título: O Olhar da Mente
Autor: Hakan Nesser
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898869128
Nº de Páginas: 272

Sinopse: Por vezes, a verdade está mesmo à nossa frente. Só a justiça é cega.
Uma manhã, o conceituado professor Janek Mitter acorda completamente desorientado no seu apartamento. Com a cabeça a latejar, sem se lembrar de nada da noite anterior, vagueia pela casa até encontrar a mulher, Eva Ringmar, morta na banheira. Apesar de Mitter ter chamado logo a polícia, é considerado o principal suspeito do crime.
Quando o experiente inspetor Van Veeteren é chamado para investigar o caso, duvida imediatamente da simplicidade do mesmo, mas Mitter acaba por ser julgado pelo homicídio da sua companheira e é condenado a cumprir pena num hospital psiquiátrico.
Quando, pouco tempo depois, o professor aparece assassinado no hospício, Van Veeteren reabre o caso e avança com uma investigação às duas mortes. Partindo de uma carta enviada por Mitter pouco tempo antes da sua morte, o inspetor entra numa aterradora viagem a um passado terrivelmente sombrio.

     Situado em Maardam, uma cidade fictícia, localizada em um país sem nome no norte da Europa, a ação ocorre entre 05 de Outubro e 05 de Dezembro. Um professor do ensino médio, Janek Mitter, acorda uma manhã incapaz de se lembrar do próprio nome, com uma ressaca terrível. Ele encontra a porta da casa de banho trancada e lá dentro uma mulher está deitada na banheira, que ele conhece muito bem. Eva Ringmar era sua esposa de três meses. 
     Durante o julgamento, Mitter não se lembra do que aconteceu naquela noite, embora tenha certeza de que ele não matou a sua mulher. Mas o facto de após a ter encontrado, ter telefonado e à polícia e ter limpo o apartamento a pente fino, também não o ajuda. É então considerado culpado e está agora confinado num asilo mental.
     Quando ocorre um segundo assassinato, claramente ligado a este, o inspetor-chefe Van Veeteren é responsável pela investigação. Veeteren fica convencido de que algo ou alguém na vida de Eva causou este duplo assassinato e, ao aprofundar o caso, uma história trágica começa a se desenrolar.
     Os diálogos abundantes tornam este livro fácil de ler e o senso de humor muito peculiar de Nesser torna também uma leitura muito agradável. É um procedimento policial excelente e muito divertido. Um desses livros que capta sua atenção desde o início. 
Håkan Nesser é um escritor sueco, autor de mais de 20 livros, sobretudo policiais, já traduzidos para 20 línguas. A sua obra tem sido galardoada com vários prémios, entre os quais o Ripper (Melhor Ficção Policial Europeia), o Prémio da Academia Sueca de Literatura Policial e ainda o prémio Glass Key (Melhor Romance Policial da Escandinávia).

junho 16, 2017

Eles também gostam de ler... #4

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.

Kate Winslet

     Kate Elizabeth Winslet, (5 de outubro de 1975) é uma premiada atriz britânica. Vencedora de um Oscar, um Emmy, quatro Globos de Ouro, três SAG Awards, quatro BAFTA e um prêmio Grammy. Ela é a atriz mais jovem a receber seis indicações ao Oscar antes dos 31 anos de idade, com sete indicações no total, e é uma das poucas atrizes a ganhar três dos quatro principais prêmios do entretenimento Americano (EGOT). Além disso, Winslet já venceu três prêmios do Sindicato dos Atores, e um prêmio honorário César em 2012.
     Criada em Berkshire, Winslet estudou teatro desde pequena, e começou a sua carreira na televisão britânica em 1991. Ela fez a sua estreia no cinema em Almas Gêmeas (1994), pelo qual recebeu vários elogios. Ganhou reconhecimento pelo seu papel coadjuvante em Sensibilidade e Bom Senso (1995) antes de atingir o estrelato mundial com o romance épico Titanic (1997). Em 2008, o crítico David Edelstein a descreveu como "a melhor atriz britânica de cinema da sua geração". E a sua obra literária de eleição é...

      Thérèse Raquin, romance do escritor francês Émile Zola, é considerada a obra inaugural do naturalismo literário. Ao ser publicada, foi severamente repudiada pela crítica literária especializada. Segundo um dos críticos:
''Estabeleceu-se há alguns anos uma escola monstruosa de romancistas, que pretende substituir a eloquência da carnagem pela eloquência da carne, que apela para as curiosidades mais cirúrgicas, que reúne pestíferos para nos fazer admirar as veias saltadas, que se inspira diretamente do cólera, seu mestre, e que faz sair pus da consciência. (…) Thérèse Raquin é o resíduo de todos esses horrores publicados precedentemente. Nele, escorrem todo o sangue e todas as infâmias…'' (Ferragus).
      Entretanto, o escândalo provocado por Thérèse Raquin entre os críticos trouxe um resultado inesperado: serviu de propaganda aos ideais naturalistas do romance, colocando a recém-nascida escola literária em voga. Sob esse pretexto, a obra obteve uma nova edição no ano seguinte, acompanhada por um prefácio, no qual Zola defende as máximas do naturalismo literário: a necessidade de realizar uma análise científica minuciosa da alma humana, sem idealizações morais. Dessa maneira (nas palavras do próprio Zola) cada capítulo constitui o estudo de um caso curioso de fisiologia.

junho 08, 2017

Opinião: Pequena Abelha, Chris Cleave

Título: Pequena Abelha
Título Original: Little Bee
Autor: Chris Cleave
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892313177
Nº de Páginas: 272

Sinopse: Não queremos contar-lhe O QUE ACONTECE neste livro. Esta é uma HISTÓRIA MESMO ESPECIAL e não queremos desvendá-la.
Ainda assim, vai precisar de saber um pouco mais sobre ela para querer lê-la, por isso, vamos dizer apenas o seguinte:
Esta é a história de DUAS MULHERES. Os seus destinos vão cruzar-se UM DIA e uma delas terá de fazer UMA ESCOLHA terrível, o tipo de escolha que ninguém deseja enfrentar. Uma escolha que envolve vida ou morte. DOIS ANOS DEPOIS, elas encontram-se de novo. É então que a história começa verdadeiramente…

     Eu vou honrar o pedido e não vos vou contar o que acontece. Eu sei que devem estar a pensar, que tipo de review é esta? Mas eu acho que este livro é uma jornada que todos os leitores devem seguir por conta própria. O que eu digo é que o autor Chris Cleave criou uma história poderosa, emocionante e excepcional. A ideia foi inspirada na sua infância na África Ocidental e numa visita a um centro britânico de detenção de imigração. E a personagem da Pequena Abelha conta as suas opiniões sobre o mundo e a vida, de um certo modo doloroso e atraente.
     A narrativa move se entre a Pequena Abelha e Sarah. O que é tão interessante são as suas opiniões diferentes sobre os mesmos eventos. Todos os personagens de suporte, o marido, o amante e o filho de Sarah são escritos poderosamente, e conseguem nos provocar uma forte reação e emoção. Há alguma violência no livro, mas é parte integrante da história. O fim é doloroso, estimulante e dá esperança ao nosso futuro.
     Coisas fortes? Sim, é - mas é um livro que vais ficar feliz por ler. E que poderá te fazer ver o mundo de uma maneira diferente.
 Chris Cleave foi jornalista, colunista, barman, marinheiro, professor e pioneiro da Internet. Incendiário, o seu romance de estreia, foi um bestseller internacional, tendo sido publicado em vinte países e vencido o Somerset Maugham Award em 2006, o Book-of-the-Month Club Award na categoria de primeiro romance e o Prémio Especial do Júri nos Prémios dos Leitores de França em 2007. Foi adaptado para o CINEMA, num filme protagonizado por Ewan McGregor e Michelle Williams.
Pequena Abelha foi um estrondoso sucesso de crítica e público em todo o mundo, tendo liderado a lista de bestsellers do The New York Times e sido considerado um dos melhores livros do ano por diversas publicações, entre elas, o The Independent. Está também a ser adaptado para o cinema, num filme protagonizado por Nicole Kidman.

junho 01, 2017

Opinião: No Canto Mais Escuro, Elizabeth Haynes

Título: No Canto Mais Escuro
Título Original: Into The Darkest Corner
Autora: Elizabeth Haynes
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350884
Nº de Páginas: 372

Sinopse: No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo constante.

     O prólogo do livro abriu com uma transcrição do tribunal que despertou logo o meu interesse. Em que, o Sr. Brightman está a ser questionado sobre o seu relacionamento com a senhora Bailey.
     A história é contada a partir de dois períodos de tempo de 2003 e 2007. E foram necessárias poucas páginas para descobrir que os dois quadros são contados do ponto de vista da mesma pessoa - Catherine Bailey em 2003 e Cathy Bailey em 2007.
     Em 2003, Catherine é uma mulher jovem, cheia de vida que conhece Lee, um porteiro do bar, numa noite. Ele parece ser perfeito - atento, bom na cama, bonito, pensativo e muito mais. Mas, em 2007, Cathy é atormentada pela extrema ansiedade, ataques de pânico e transtornos obsessivo compulsivos. Ela não consegue parar de verificar as portas, janelas e fechaduras. E começamos nos a perguntar o que terá acontecido com Catherine, para tal mudança de personalidade.
     Elizabeth Haynes emprega uma técnica altamente eficaz, desvendando as duas histórias em capítulos alternativos. O perigo em 2003 é insidioso, vai-se construindo lentamente em direção a um clímax, com a tensão aumentando e aumentando. Ao ponto de nos apetecer gritar com Catherine. Em 2007, Cathy está a lutar para conseguir lidar com a vida quando ..... !
     No Canto Mais Escuro está também de parabéns porque trata de assuntos bastante sérios; em que a escritora fez um trabalho perspicaz em descrever os transtornos obsessivo compulsivos e a violência doméstica.
     De algumas críticas que encontrei percebi que muitos leitores não gostaram do livro, mas não sei como. Eu acho que é um thriller psicológico fascinante que conseguiu manter o  meu interesse até virar a última página. (Na verdade, tive alguma dificuldade em não pular para o final no meio do caminho para ver o que aconteceu).  
Um romance de estreia que arrebatou público e crítica e recebeu os prémios Amazon Best Book of the Year 2011 e Amazon Rising Stars 2011.

Elizabeth Haynes é analista dos serviços secretos da polícia britânica. No Canto mais Escuro, que marca a sua brilhante estreia na ficção, foi traduzido em 27 línguas e editado em países como o Brasil, China, Japão, Alemanha ou Estados Unidos, e deixa antever uma promissora carreira literária. Haynes vive em Kent com o marido e o filho.