março 30, 2017

Opinião: Meia-Noite em Pequim, Paul French

Título: Meia-Noite em Pequim
Título original: Midnight in Peking
Autor: Paul French
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722526104
Nº de Páginas: 272

Sinopse: Janeiro de 1937: Pequim é uma mistura inebriante de privilégios e escândalos, de bares e casas de ópio, de senhores da guerra e corrupção, de rumores e superstições - e o final de tudo isto aproxima-se rapidamente. 
No selecionado Bairro das Legações, os residentes estrangeiros aguardam impacientemente pelo inevitável. As tropas japonesas já ocuparam a Manchúria e preparam-se para rumar a Sul. Corre o rumor que Chiang Kai-shek e o seu governo instável, que há muito se mudaram para Nanquim, estão dispostos a negociar com Tóquio, abandonando Pequim à sua sorte. Cada dia que passa eleva os níveis de ansiedade tanto para os chineses como para os estrangeiros que se encontram no interior das antigas muralhas da cidade. Numa dessas muralhas, próxima dos perigosos descampados, existe uma enorme torre de vigia - assombrada, segundo os locais, por espíritos raposa, que caçam mortais inocentes. E aí, numa noite fria e amarga, foi largado o corpo de uma mortal inocente. Pertencia a Pamela Werner, filha de um ex-cônsul britânico na China, e quando os detalhes da sua morte são revelados, as pessoas têm dificuldade em acreditar que qualquer ser humano pudesse tratar outro de tal forma. E apesar de os japoneses apertarem cada vez mais o nó em torno da cidade, o assassinato de Pamela choca Pequim. 

     Em janeiro de 1937, o corpo de uma jovem britânica, Pamela Werner, foi encontrado perto da Torre Fox em Pequim. Embora dois detetives, um britânico e outro chinês, terem passado meses a trabalhar no caso, nunca foi resolvido completamente, caindo assim no esquecimento. Frustrado, o pai de Pamela, um ex-diplomata, tentou resolver o crime. A sua investigação levou o a descobrir um segredo que era pior do que qualquer coisa que ele poderia ter imaginado.
     No início, eu pensei que este seria um relato muito simples da história de um verdadeiro crime, mas o que Paul French - que passou cerca de sete anos a fazer pesquisas sobre o assunto  - revela neste livro é muito mais do que isso. A sociedade estrangeira em Pequim na década de 1930 foi estratificada, com os colonos britânicos no topo e os refugiados russos brancos no fundo, mas de alguma forma todos foram reunidos em um grupo fortemente unido por um medo do que estava por vir.
     A história do próprio assassinato é incrivelmente absorvente. Acho que French usou muito bem a sua imaginação para descrever como o assassinato se desenrolou. A sua escrita não me agradou muito, mas conta uma história interessante. Amei especialmente a superstição em torno dos espíritos da raposa que representam a capacidade de uma mulher para seduzir e trair. 


Paul French nascido em Londres e educado em Londres e em Glasgow, viveu e trabalhou, durante muitos anos, em Xangai. É um reconhecido analista e comentador de assuntos chineses e é autor de diversos livros, incluindo a biografia do lendário publicitário, jornalista e aventureiro de Xangai, Carl Crow.

março 23, 2017

Opinião: A Carta, Sarah Blake

Título: A Carta
Título original: The Postmistress
Autor: Sarah Blake
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724620015
Nº de Páginas: 352

Sinopse: Alternando entre uma América ainda resguardada no casulo da sua incapacidade em compreender o perigo próximo e uma Europa a ser dilacerada pela guerra, ""A Carta"" traz-nos duas mulheres que se descobrem incapazes de entregar corres-pondência, e uma terceira mulher desespera- da por uma carta, mas com medo de a receber. ""A Carta"", de Sarah Blake, mostra como podemos suportar o facto de a guerra prosseguir à nossa volta enquanto a vida do dia-a-dia continua. Um romance extraordinário cheio de paralelismos surpreendentes com os dias de hoje.

     Na véspera da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial em 1940, Iris James, a dona de Franklin, uma pequena cidade em Cape Cod, faz o impensável: Ela não entrega uma carta.
     Em Londes, Frankie Bard está a trabalhar com Edward R. Murrow, na rádio a relatar o Blitz. Durante a noite num abrigo anti-bomba, ela encontra um médico de Cape Cod com uma carta no bolso, uma carta que Frankie promete entregar quando retornar da Alemanha e da França, onde irá gravar as histórias de refugiados de guerra que tentam escapar desesperadamente. Os moradores de Franklin acham que a guerra não os irá afetar, mas como o rádio de Frankie está a transmitir em direto, alguns descobrem que a guerra está prestes a começar. E quando Frankie chega à sua porta, as duas histórias colidem de uma maneira que ninguém poderia ter previsto.
      Repleta de deslumbrantes paralelos com o mundo de hoje, A Carta, é um romance arrebatador sobre a perda da inocência de duas mulheres extraordinárias - e de dois países divididos pela guerra.
 Três mulheres, uma guerra, uma carta não entregue, um segredo por revelar.


Sarah Blake nasceu em Nova Iorque. É autora de Full Turn (poesia), Runaway Girls (álbum) e estreou-se no romance com Grange House que teve, desde logo, as melhores críticas. Vive em Washington, DC, com o marido, o poeta Josh Weiner, e os dois filhos.

março 16, 2017

Eles também gostam de ler... #1

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.


Johnny Depp - Pela estrada fora, Jack Kerouac

Escrito em três semanas num enorme rolo de papel de Telex, Pela Estrada Fora é publicado em 1957. O grande sucesso junto do público transformou-o imediatamente num livro de culto, capaz de definir, e em certa medida até de fundar, um estilo de vida e de pensamento. Se é verdade que a Beat Generation retirou do romance e da biografia de Jack Kerouac os traços mais marcantes e universais da sua fisionomia, dos seus êxtases, esperanças e desesperos, não é menos verdade que o mal-estar nevrótico de que ele se faz intérprete constitui o primeiro desafio clamoroso ao American Dream do pós-guerra, acabando por encarnar simbolicamente todas as formas de oposição, todas as bolsas de resistência e de marginalidade em relação aos poderes hegemónicos. A viagem rumo ao Sul, empreendida por Sal e Dean (na realidade, o autor e amigo Neal Cassady, irredutível dropout), ao longo das infidáveis estradas do Texas e do México, é definitivamente uma viagem em direcção ao nada, na qual o que interessa não é chegar, mas caminhar, deslocar-se indefinidamente na esperança, ainda que vã, de exorcizar uma ânsia e uma mal-estar crescentes, a despeito das perigosas vias de fuga proporcionadas pelo álcool, a marijuana e a benzedrina. A necessidade iniludível de se rebelar, o valor da amizade, a procura de autenticidade e de uma difícil pertença, oferecem as coordenadas elementares de um universo jovem marcado pela sombra negra da dissolução e da morte: um universo que exigia então, e continua a exigir, o respeito e a autocrítica devidos às vítimas de um silencioso e mortífero drama histórico. 


Daniel Radcliffe - O Mestre e Margarida, Mikhail Bulgakov 

Margarita e o Mestre publicado pela primeira vez na revista Moskva, mais de vinte anos após a morte do autor — a primeira parte em Novembro de 1966 e a segunda em Janeiro do ano seguinte. Mikhail Bulgákov trabalhara nesta sua obra durante mais de dez anos, tendo escrito diferentes versões. A última foi ditada à sua companheira Elena Bulgákova, quando o autor se encontrava já muito doente, em Março de 1940. O romance é composto por duas narrativas ligadas entre si — uma passa-se na Moscovo dos anos 30 e a outra na Jerusalém antiga. As personagens são estranhas, complexas, ambíguas e algumas delas sobrenaturais, como Woland. As principais são o Mestre e a sua amante, Margarita. Como afirma Samuel Thomas, «o romance pulsa de maliciosa energia e invenção. Por vezes uma dura sátira da vida soviética, uma alegoria religiosa da dimensão do Fausto, de Goethe, e uma indomável fantasia burlesca, é uma obra de riso e terror, de liberdade e servidão — um romance que explode as verdades oficiais com a força de um carnaval descontrolado».

março 09, 2017

Opinião: Descobri que te Amo, Ann E. Cannon

Título: Descobri que te Amo
Título original: The Loser’s Guide to Life and Love
Autor: Ann E. Cannon
Editor: Marcador
ISBN: 9789898470010
Nº de Páginas: 224

Sinopse: Ed, um rapaz normal e entediado, tem um trabalho de Verão numa loja de aluguer de vídeos e DVD, onde o seu crachá de identificação diz chamar-se «Sergio». A única distração de Ed são os seus dois melhores amigos: Scout e o sobredotado Quark. Mas tudo muda quando a rapariga dos seus sonhos entra na loja onde trabalha e a vida parece ganhar outra cor. Ed sabe que não tem a menor possibilidade com ela, mas, quem sabe, talvez Sergio tenha. Para tal, basta-lhe fazer de conta que é um atraente e sedutor brasileiro durante o resto da vida. Simples, não é? Só que nada é assim tão fácil…

Ed McIff tropeça no meio de uma crise de identidade, e vê se assim forçado a usar o nome de Sérgio para conquistar Ellie, e ainda com ajuda de algumas mentiras, desde a sua nacionalidade até às suas falsas explorações do mundo. Isto sem saber que Scout tem uma paixão secreta por si, enquanto que Quark é apaixonado por Scout.
     Quanto aos personagens em si, por causa da simplicidade da história, não ficamos muito ligados a qualquer um deles. No entanto, estas paixões desencontradas desencadeiam comportamentos típicos de adolescentes e entre várias peripécias, proporcionam nos momentos bastante engraçados.
Capítulos curtos que permitem uma leitura leve e fluída, e com bastante humor.


A. E. Cannon, aliás, Ann Edwards Cannon é autora de vários livros destinados ao público juvenil, bem recebidos quer pelos leitores, quer pela crítica. As suas obras foram distinguidas, entre outros, com os prémios Delacorte Press Prize for a First Young Adult Novel e ALA Best Book for Young Adults.

março 01, 2017

As 5 mais belas livrarias do Mundo

Há livrarias que se tornaram autênticos monumentos, atraindo os turistas não necessariamente pelos livros, mas pelo espaço que os rodeia. E temos Entrelinhas o top das cinco mais belas livrarias do Mundo, e o primeiro lugar vai para Portugal (imparcialidade não é o nosso ponto forte).


1. Livraria Lello, Porto, Portugal

A escadaria que inspirou a autora de Harry Potter para criar as escadas de Hogwarts.
É simplesmente a mais bela livraria do mundo.


2. Selexys Bookstore, Maastricht, Holanda
A livraria está instalada numa antiga igreja dominicana.


3. El Ateneo Grand Splendid, Buenos Aires, Argentina

Um teatro dos anos 20, que estava fechado foi convertido em livraria 
e o resultado não podia ter sido melhor.


4. Cook & Book, Bruxelas, Bélgica 

Juntaram comida e livros no mesmo espaço, já me convenceram, 
entrada directa para o top.


5. Kid's Republic Bookstore, Beijing, China

Quantas birras diárias devem acontecer nesta livraria infantil
 de miúdos que não querem sair dali?