outubro 19, 2017

Opinião: A Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano

Título: A Solidão dos Números Primos
Autor: Paolo Giordano
Editor: Relógio D'Água
ISBN: 9789896415341
Nº de Páginas: 264

Sinopse: A Solidão dos Números Primos obteve o Prémio Strega em 2008 e o Prémio Campiello Opera Prima e foi traduzido em mais de quarenta línguas.
A narrativa centra-se nas vidas de Alice e Mattia, ambos marcados por um episódio traumático sucedido na sua infância afinal parecem-se com aqueles números especiais, a que os matemáticos chamam "primos gémeos", que estão separados apenas por um número par, próximos mas incapazes de se tocarem realmente.

     Com apenas vinte e seis anos, Paolo Giordano tornou-se o fenômeno editorial mais relevante nos últimos tempos na Itália. A solidão dos Números Primos, o primeiro romance deste graduado em Física Teórica, foi premiado com o Prêmio Strega 2008 - o mais importante na Itália - e alcançou um sucesso sem precedentes para um autor de novela: mais de um milhão de cópias vendidas . Também despertou grande interesse internacional e será traduzido para vinte e três línguas.
     Alguns primos ainda mais especiais existem. Eles são aqueles que os matemáticos chamam de primos gêmeos, já que entre eles é sempre interposto um número par. Assim, números como 11 e 13, 17 e 19, ou 41 e 43, permanecem próximos, mas nunca se tocaram. Esta verdade matemática é a bela metáfora que o autor escolheu para contar a história em torno de Alice e Mattia, dois seres cujas vidas foram condicionadas pelas consequências irreversíveis de dois episódios que ocorreram em sua infância. Da adolescência até a idade adulta, e apesar da forte atração que, sem dúvida, os une, a vida irá erguer barreiras invisíveis entre eles que testarão a solidez do relacionamento. A sutileza das características psicológicas dos personagens, bem como a profundidade e complexidade de uma história que desperta nos leitores as reações mais variadas, destacam a admirável maturidade literária desse jovem autor quando se trata de pares, nada mais e nada menos, para a essência da solidão.
Paolo Giordano nasceu em Turim em 1982, filho de um ginecologista e de uma professora de Inglês. Tem uma uma irmã, Cecilia, mais velha do que ele três anos. Licenciou-se em Física na Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. Vive em San Mauro.

outubro 16, 2017

Eles também gostam de ler... #7

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.
Alex Ferguson

     Sir Alexander Chapman "Alex" Ferguson, (31 de dezembro de 1941) é um ex-treinador e ex-futebolista escocês. É o treinador mais vitorioso da história do futebol inglês e amplamente considerado o maior técnico de todos os tempos. em 39 anos de carreira como técnico, Ferguson conquistou incríveis 49 títulos.
     Comandou o Manchester United de 1986 até 2013. Nos 26 anos que Ferguson treinou o Manchester United, conquistou 38 títulos tornando-se o treinador com mais jogos à frente dos Reds Devils. Como jogador, jogou como atacante e defendeu diversas equipas escocesas, incluindo o Dunfermline Athletic Football Club e o The Rangers Football Club. Pelo Dunfermline Athletic, foi artilheiro do campeonato Escocês de 1965-66. Como técnico, Ferguson treinou o East Stirlingshire, St. Mirren e Aberdeen, antes de assinar com o Manchester United. 
     Em 1999, tornou-se o primeiro treinador de uma equipe inglesa a ganhar a tríplice coroa, vencendo a Premier League, FA Cup e UEFA Champions League na mesma temporada. No mesmo ano, foi agraciado pela Rainha da Inglaterra com o título de "Sir". 
     Numa noite de dezembro, uma faroleira descobre um velho livro num baú que dera à costa. As letras douradas do título estão quase apagadas, as páginas cobertas de bolor são ilegíveis; só o papel das ilustrações resistiu... De súbito essas imagens ganham vida e, um após outro, os heróis do livro contam à jovem a sua fabulosa história!
     Billy Bones, o homem da cicatriz, lorde Trelawney, Ben Gunn, Jim Hawkins, o jovem e corajoso marujo, e Long John Silver, o pirata da perna de pau, sonharam todos eles descobrir o tesouro do sanguinário capitão Flint...
Como curiosidade, foi nesse livro que pela primeira vez apareceu um mapa do tesouro, onde a arca cheia de ouro enterrada estava marcada com um grande X, hoje tão comum nesse tipo de história.

outubro 12, 2017

Opinião: A Rainha de Tearling, Erika Johansen

 Título: A Rainha de Tearling
Autor: Erika Johansen
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722357937
Nº de Páginas: 400

Sinopse: Durante dezoito anos, o destino de Tearling ficou nas mãos do Regente, manipulado pela Rainha Vermelha, uma feiticeira implacável que governa o reino vizinho de Mortmesme. Porém, Kelsea Glynn, sobrinha do Regente, é a legítima herdeira do trono. Quando completa dezanove anos, está pronta para reclamar o que é seu - e assim regressa do exílio com o objetivo de tornar Tearling um reino livre de pobreza, opressão e escravatura. Mas Kelsea é jovem, ingénua e cresceu longe da corrupção e dos perigos que assolam o reino. Cedo lutará pelo trono e pela própria sobrevivência, num caminho de crescimento em que aprende a lidar com uma herança muito pesada.
Será Rainha se sobreviver para reclamar o trono.

     Em A Rainha de Tearling, chegou a hora de Kelsea Glynn, de 19 anos, subir ao trono de Tearling. Devido ao clima político conturbado, Kelsea foi mantida escondida desde que era uma pequena criança, criada por conselheiros confiáveis da monarquia para ser uma rainha. Apesar de todo o treino, Kelsea não está preparada para ser empurrada para o mundo da política de Tearling, onde deve evitar assassinos enviados pela formidável Rainha Vermelha, frustrar as tentativas do seu tio que a tenta matar antes da sua coroação e, sobretudo, trabalhar para construir uma vida melhor para o seu povo.
     Em alguns momentos torna-se um livro lento e longo, ambientado num mundo de fantasia que não foi suficientemente bem explicado, especialmente para um romance tão longo.
     De longe, a melhor coisa sobre o livro é a própria Kelsea. Se tivesse de escolher uma palavra para a descrever seria idealista. Sabem aqueles momentos em que o herói da história deixa um pouco a sua inocência para derrotar o inimigo? Kelsea nunca o faz - ela sempre faz o que acredita estar certo. É um sentimento estranho e inesperado para o leitor, embora talvez não seja surpreendente, dado que Johansen admitiu que estava inspirada para escrever a série depois de ouvir um dos discursos da campanha de Barack Obama em 2007.
     Em suma, Tearling é uma leitura agradável. Esta é uma ótima escolha para fãs de intriga política com um traço de fantasia ao estilo de Game of Thrones, mas talvez com um pouco mais de consciência social. 
Erika Johansen cresceu na área da Baía de São Francisco. Ela frequentou o Swarthmore College, ganhou um MFA do Iowa Writers 'Workshop e, eventualmente, tornou-se advogada, mas ela nunca deixou de escrever.

outubro 05, 2017

Opinião: O Professor, John Katzenbach

Título: O Professor
Autor: John Katzenbach
Editor: Edições Esgotadas
ISBN: 9789898514219
Nº de Páginas: 572

Sinopse: Passado numa pequena cidade universitária a oeste de Massachusetts, este impressionante e emocionante thriller aborda temas como a demência, as angústias dos adolescentes, as redes de pedofilia, a perversidade sexual e o voyeurismo na Internet.
Depois de receber um diagnóstico de demência degenerativa, uma sentença de morte lenta, mas inevitável, Adrian Thomas, um professor reformado de psicologia, testemunha o rapto de uma jovem de 16 anos. Jennifer é necessária para ser usada como objeto de violência sexual em direto na página www.whatcomesnext.pt. Os espectadores pagam para assistir tranquilamente, em sua casa, a todo o tipo de perversão em tempo real, exigindo cada vez mais requintes de malvadez, chegando, mesmo, a apostar na hora exata em que ocorre a violação. Apesar das falhas de memória, Adrian consegue usar as suas perceções para encontrar Jennifer.

     Dr. Adrian Thomas, acabou de descobrir que sofre de demência. Quando se dirige até casa depois de uma caminhada, ele vê algo estranho. Uma menina - que descobrimos ser Jennifer Riggins - é arrebatada de uma rua residencial por um homem e uma mulher. Como Jennifer já tentara fugir duas vezes, a polícia está relutante em investigar o caso. Somente quando Thomas avança com a sua história é que o detetive no caso, Terri Collins, começa a tratá-lo como um sequestro.
     Como os sequestradores planejaram tudo tão bem e destruíram qualquer evidência que os conecta-se com Jennifer, parece quase impossível que a polícia e Thomas a encontrem. A polícia não tem nada para continuar. Mas Thomas não vai baixar os braços. Ele deixa o instinto do psicólogo apontá-lo para as partes mais sombrias da Internet (usando a assistência de um pedófilo) para tentar rastreá-la. O relógio está marcando e Katzenbach nunca deixa o livro arrastar. É uma leitura incrivelmente tensa.
     Embalado com reviravoltas e reviravoltas, não é apenas o final que deixa o leitor sem fôlego, embora a conclusão seja incrível e imprevisível. Os personagens são habilidosamente construídos e cada um - da polícia ao criminoso, da vítima à testemunha - é multifacetado e está em conflito, com suas as suas próprias motivações.
     Triunfante e trágico, explorando a natureza das relações humanas de forma sensível e fazendo o leitor questionar-se de tudo, este livro é uma necessidade absoluta para os fãs de suspense psicológico.
John Katzenbach (nascido em 23 de junho de 1950) é um autor dos Estados Unidos da ficção popular. Filho de Nicholas Katzenbach, ex-procurador-geral dos Estados Unidos, Katzenbach trabalhou como repórter do tribunal criminal para o Miami Herald e Miami News, e foi escritor de destaque da revista Herald's Tropic. Ele deixou a indústria do jornal para escrever thrillers psicológicos. 

setembro 28, 2017

Opinião: Quem não sonha voar, Alice?, Julia Claiborne Johnson

Título: Quem não sonha voar, Alice?
Autora: Julia Claiborne Johnson
Editor: Porto Editora 
ISBN: 978-972-0-04883-7
Nº de Páginas: 328

Sinopse: Mimi Banning é uma escritora bestseller que vive há anos em reclusão numa mansão de Bel-Air. A braços com uma difícil situação financeira, a excêntrica Mimi vê-se obrigada a regressar aos livros e a escrever um novo romance pela primeira vez em décadas. 
Para que tudo corra como planeado e os prazos se cumpram, o editor providencia-lhe uma assistente. Quando Alice chega a Bel-Air, rapidamente percebe que a sua principal função será cuidar de Frank, uma criança de 9 anos com uma inteligência acima da média e muito pouco em comum com os seus colegas de escola. 
Divertido, sensível e realmente especial, Frank protagoniza momentos de verdadeiro génio e de autêntica delicadeza acabando por conquistar irremediavelmente o coração da jovem Alice.

     No livro de estreia de Julia Claiborne Johnson, "Quem não sonha voar, Alice?", ela prova que a vida pode ser tudo de uma vez só, engraçada, dolorosa, desordenada e redentora.
     Mimi Banning perdeu todo o seu dinheiro num mau investimento. Agora, ela precisa escrever outro livro para providenciar a si mesma e ao seu filho de 10 anos, Frank.
     Para a ajudar com isso, a sua editora envia Alice Whitley para Los Angeles para atuar como ama, cozinheira e motorista, entre outras coisas. Quando Alice chega, ela é apresentada rapidamente aos estranhos modos, mas queridos de Frank, e à personalidade abrasiva e ausente de Mimi.
     Alice também descobre que é mais difícil do que pensou em fazer com que Mimi escrevesse este livro e mais fácil do que pensava amar uma criança que não era dela. Ela logo dá por si em uma missão para desenredar a rede de mistério em torno do passado de Mimi e do pai de Frank.
     A narração de Johnson tem uma maneira amorosa de acompanhar Alice, tem qualquer coisa de espirituoso nela e na linha do seu pensamento organizada e coesa. A maneira como ela observa esta nova cidade e família estranha, atrai o leitor. 
     Mas Frank sem dúvida que consegue roubar toda a atenção. Não é só a sua peculiaridade que faz com que ele se destaque entre um elenco de personagens, mas também é a maneira como ele vê o mundo e a maneira como o mundo o trata de volta que mantém as páginas viradas.
     Com histórias dolorosas que envolvem perda, culpa e perdão, Johnson puxará as cordas do coração, ela fará o leitor rir e refletir sobre o que é realmente importante em suas vidas.
Julia Claiborne Johnson trabalhou nas revistas Mademoiselle e Glamour antes de casar e de se mudar para Los Angeles, onde vive atualmente com o marido e dois filhos.

setembro 21, 2017

Opinião: Kafka à Beira-Mar, Haruki Murakami

Título: Kafka à Beira-Mar
Autor: Haruki Murakami
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724616469
Nº de Páginas: 490

Sinopse: Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

     Haruki Murakami nasceu em Kyoto em 1949. Estudou literatura e correu por vários anos um clube de jazz. Ele é um dos poucos autores japoneses que fez o salto do escritor de culto para autor de prestígio e conseguiu ótimas vendas tanto no país como no exterior.
     Kafka à Beira-Mar é um extenso livro onde duas histórias paralelas são informadas de que alternam em cada capítulo, esperando que os dois se cruzem. O seu argumento é difícil de resumir. É, sem dúvida, uma novela estranha, mas atraente, cheia de matizes surrealistas, onde o passado e o presente, o sonho e a realidade são misturados. O importante, no entanto, é os sentimentos que transmite, por isso vale a pena ler. Para mim, é um romance superior aos anteriores de Murakami.
     No final de 2005, os críticos do suplemento literário do New York Times proclamaram a Kafka à Beira-Mar o melhor romance do ano.
Haruki Murakami, de quem a Casa das Letras editou Kafka à Beira-Mar (com mais de 15 mil exemplares vendidos) e Sputnik, Meu Amor, é um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgados em todo o mundo sendo, simultaneamente, aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian) e a «mais peculiar e sedutora voz da moderna ficção» (Los Angeles Times). 
Nasceu em Quioto, em 1949. Estudou teatro grego antes de gerir um bar de jazz em Tóquio, entre 1974 e 1981. Além de Sputnik, Meu Amor, Kafka à Beira-Mar, Dance, Dance, Dance e A Wild Sheep Chase, que recebeu o Prémio Noma destinado a novos escritores (a editar brevemente pela Casa das Letras), Murakami é ainda autor, entre outros, de Hard-boiled Wonderland and the End of the World (distinguido com o prestigiado Prémio Tanizaki) e, mais recentemente, de Blind Willow, Sleeping Woman, a sua terceira colectânea de contos, distinguida com o Frank O'Connor International Short Story Award.


setembro 16, 2017

Eles também gostam de ler... #6

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.
Miguel Araújo

     Miguel Araújo (Miguel Costa Pinheiro de Araújo Jorge, Maia, 13 de Julho de 1978) é um músico português. Ficou conhecido como integrante da banda Os Azeitonas, sobre o seu pseudónimo Miguel AJ (ou Miguel Araújo Jorge). 
     Em Maio de 2012, lançou o seu primeiro álbum a solo, Cinco dias e meio. Este álbum conta com sucessos como "Os Maridos das Outras", "Reader's Digest", "Autopsicodiagnose", "Fizz Limão" e "Capitão Fantástico". A música Os Maridos das Outras ganhou bastante notoriedade pela melodia simples e original e pela letra divertida, brincando com preconceitos sobre o casamento e as diferenças dos sexos. O single chegou à quarta posição do top português, enquanto o álbum entrou no Top 3 das vendas em Portugal.
     Continuou a compor para si e para outras vozes conhecidas como António Zambujo e Ana Moura. Mas não é só de música que é feita a sua vida, também há espaço para leituras e consta que a sua obra de eleição é...
«O que temos aqui não é um livro mas a sua subversão e negação, o livro em potência, o livro em plena ruína, o livro-sonho, o livro-desespero, o anti-livro, além de qualquer literatura. O que temos nestas páginas é o génio de Pessoa no seu auge». Estas são palavras da INTRODUÇÃO à primeira edição do Livro do Desassossego publicado pela Assírio & Alvim, em 1998. Com o presente volume, vamos na décima edição desta maravilhosa e sui generis obra, agora enriquecida por alguns inéditos e, sobretudo, por dezenas de melhoramentos na leitura dos originais manuscritos, redigidos numa caligrafia notoriamente difícil de decifrar. Esta nova edição também apresenta uma articulação aperfeiçoada de alguns trechos e inclui profusas notas que vêm esclarecer praticamente todas as referências literárias e históricas. Mantém-se, no entanto, o carácter essencialmente hesitante e fragmentário do Livro, realçando assim o que o autor chamou de «o devaneio e o desconexo lógico» da sua «expressão íntima». Era, com efeito, o livro de um sonhador e para sonhadores. E era — vai sendo — muitas outras coisas para todos os que entram neste vasto e surpreendente universo escrito. 

http://blitz.sapo.pt/videos/2017-06-09-Este-e-o-livro-preferido-de-Miguel-Araujo

setembro 14, 2017

Opinião: A Terceira Virgem, Fred Vargas

Título: A Terceira Virgem
Autor: Fred Vargas
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04553-9
Nº de Páginas: 376

Sinopse: O fantasma de uma freira do século XVIII que degolava as suas vítimas, sepulturas e cadáveres de virgens profanados, sombras misteriosas e sinistras em cemitérios obscuros da Normandia profunda, livros medievais com poções mágicas que asseguram a vida eterna, o furto de relíquias, um rival do passado longínquo que fala em verso e... dois traficantes de droga assassinados às portas de Paris.
Um puzzle complicado que deixaria louco qualquer um que não fosse o comissário Adamsberg. À medida que as mortes se sucedem, o comissário e a sua peculiar equipa lutam contra o tempo para encontrar os culpados.
Com este romance negro e inquietante, que mantém o leitor suspenso até à última página, Fred Vargas confirma o seu estatuto de grande senhora do policial europeu.

     Como em todas as obras realizadas pelo Comissário Adamsberg, encontramos todos os tipos de elementos irracionais. Neste caso, com o fantasma de uma freira do século XVIII, sepulturas profanadas, poções mágicas que asseguram a vida eterna, cervos mortos de forma selvagem, personalidades dissociadas e uma sombra misteriosa que desliza no escuro. Mas o romance é tão bem construído e tão bem contado, a história tem tanto ritmo e os diálogos são tão engraçados que Fred Vargas é capaz de manter a nossa atenção até o fim.
     Fred Vargas é o pseudónimo de Frédérique Audouin-Rouzeau (Paris, 1957), historiador e arqueólogo que, em seu tempo livre, escreve novelas de detetive. Suas novelas se destacam, fundamentalmente, pela sua originalidade e A Terceira Virgem é provavelmente um dos melhores livros até à data. Para mim, foi uma descoberta completa este ano. Nela encontraremos várias referências a algumas histórias anteriores, mas isso não representa nenhum problema para o leitor não iniciado.

setembro 07, 2017

Opinião: Exploradores do Abismo, Enrique Vila-Matas

Título: Exploradores do Abismo
Autor: Enrique Vila-Matas
Editor: Editorial Teorema
ISBN: 9789726957539
Nº de Páginas: 294

Sinopse: Perguntaram um dia a Enrique Vila-Matas o que estava a escrever. O escritor vivia, depois de Doutor Pasavento, numa permanente sensação de caminho fechado, pois sentia que tinha chegado ao fim de um certo percurso e perante ele se abria um abismo. «Estou a escrever o título de um livro», respondeu ele. O título era Os Exploradores do Abismo. Nos dias seguintes começou a surgir uma série de histórias relacionadas com o que esse título sugeria. Todo o livro é a exploração desse abismo. E, como o próprio título indica, trata-se de histórias protagonizadas por seres que se encontram à beira do precipício, seres que aí se equilibram e estudam, investigam, analisam o abismo.
Os exploradores são, obviamente, uma metáfora da condição humana. São optimistas e as suas histórias, em geral são as de pessoas normais que, quando se vêem à beira do abismo, adoptam a posição de um expedicionário e sondam o horizonte, indagando o que pode haver fora de aqui, ou mais além dos nossos limites. São pessoas não especialmente modernas, pois em geral desdenham do fastio existencial tão em voga. É gente antiquada e muito activa que mantém uma relação desinibida e directa com o vazio. Por vezes, esse vazio é o centro da história, enquanto que noutros casos o abismo é apenas um bom pretexto para escrever um conto.
Na realidade, os contos deste livro procuram pontes num admirável abismo, pacientemente explorado em todas as direcções possíveis por histórias subtilmente interligadas. No final estamos sem dúvida menos perdidos que no princípio, mas também mais próximos de um novo precipício.

     Acabei de ler Exploradores do Abismo, e estava a pensar porque é que ainda não tinha lido isto!  Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) escreveu o seu primeiro romance em 1971, enquanto fazia o serviço militar obrigatório no norte da África. Mais tarde, ele trabalhou como crítico de cinema até que, em 1974, instalou-se no sótão que Marguerite Duras lhe alugou em Paris, onde escreveu o seu segundo romance. O reconhecimento como escritor vem para ele em 1985. Desde então, ele foi mais reconhecido fora da Espanha do que por dentro. E o seu trabalho até agora foi traduzido para 29 idiomas.
      Exploradores do Abismo é uma coleção de histórias. Vila-Matas diz: "Este livro contém para o final uma longa história," Porque ela não pediu ", o que sintetiza muito bem o seu trabalho atual. O melhor primeiro passo é ler essa história, onde Sophie Calle tem uma performance estelar. Vamos então seguir o conselho que o autor nos dá e começar a ler esta história, como um primeiro passo para conhecer o resto de seus livros.

setembro 01, 2017

Melhores sítios para ler

      ''Lisboa: Cafés onde sabe bem ler um bom livro'', encontramos esta publicação no site Evasões e não podíamos deixar de partilhar com os leitores do Entrelinhas!
      Nestes 6 estabelecimentos podes acompanhar a leitura com um café ou até mesmo com uma refeição mais completa. O site Evasões facilita-te a vida e dá-te toda a informação que precisas, seja localização, horários, custos até informações mais detalhadas de cada um dos serviços.
Aproveita o resto da semana e não fiques a ler em casa ;)

https://www.evasoes.pt/beber/lisboa-cafes-onde-sabe-bem-ler-um-bom-livro/

julho 27, 2017

Opinião: O Diário do Anjo da Guarda, Carolyn Jess-Cooke

Título: O Diário do Anjo da Guarda
Autor: Carolyn Jess-Cooke
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892315935
Nº de Páginas: 320

Sinopse: Esta é a história de uma mulher a quem é dada a oportunidade de voltar a nascer.
Para fazer o que antes não teve coragem de fazer.
Para dizer o que ficou por dizer.
Para realizar os seus sonhos e cumprir o seu destino.
Margot Delacroix é encontrada assassinada num quarto do hotel Ritz. Inesperadamente, o universo dá-lhe uma segunda oportunidade. De regresso à Terra, ela passa a ser o anjo da guarda… de si própria. Vê-se nascer, observa e revive alegrias e momentos de ternura, mas também os seus maiores erros e arrependimentos. Agora, que pode mudar tudo, será ela capaz de contrariar os seus sentimentos?
Uma história de amor e espiritualidade, Diário do Anjo da Guarda é um romance intemporal. A prova de que, até nos momentos em que nos sentimos sós, na verdade, não estamos sozinhos.

     Margot morreu e tornou-se Ruth, um anjo da guarda. Ela é agora o anjo da guarda de si própria e é forçada a reviver a sua vida. No entanto, agora ela tem o poder de se proteger e até mesmo mudar as coisas para alterar o seu futuro. O seu objetivo final é descobrir como ela morreu e se alguém a matou. À medida que ela vai revivendo a sua vida, ela é imediatamente inundada de lembranças enquanto revive os eventos e agora vê as coisas de uma perspetiva totalmente diferente.
     Os capítulos em que Ruth tem que olhar para Margot como uma criança pequena são muito difíceis de ler. O abuso e tortura infantil que acontece é horrível e é terrível saber que coisas como esta realmente acontecem no mundo real. 
     Há lutas com demônios interioriores e outras forças que Ruth tem que lutar. Ela também luta com muita emoção humana quando revê o seu ex-marido e seu filho. Há muito sacrifício da parte de Ruth, o que torna a história muito emocionante. Margot tinha percorrido um caminho cheio de desilusões e de tragédia, e a vida? Deu-lhe a oportunidade de mudar as coisas.
Carolyn Jess-Cooke nasceu em 1978, em Belfast, na Irlanda do Norte, e é uma escritora galardoada, autora de romances, poemas e diversos livros de não-ficção sobre Shakespeare e cinema. Inroads, a sua primeira colectânea de poemas, venceu o Tyrone Guthrie Prize, o Eric Gregory Award da Society of Authors e o Northern Promise Award da New Writing North. Diário do Anjo da Guarda é o seu primeiro romance e está publicado em vinte e três países.

julho 16, 2017

Eles também gostam de ler... #5

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.


JK Rowling

     Joanne Rowling, (31 de julho de 1965), mais conhecida como J. K. Rowling, é uma escritora, roteirista e produtora cinematográfica britânica, notória por escrever a série de livros Harry Potter. Os livros ganharam uma popularidade mundial, recebendo múltiplos prêmios e vendendo mais de 400 milhões de cópias, tornando-se a série literária mais vendida da história. 
     Nascida em Yate, na Inglaterra, Rowling teve a ideia de escrever a série enquanto estava num comboio a caminho de Londres, em 1990. Em um período de sete anos, Rowling vivenciou a morte da sua mãe, o nascimento da sua primeira filha, o seu divórcio com o primeiro marido e uma crise financeira pessoal até que, em 1997, finalizou o primeiro dos sete livros da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal e o último, Harry Potter e as Relíquias da Morte, em 2007.
     Em 2007, a revista Time nomeou-a como Pessoa do Ano, ressaltando a inspiração social, moral e política que ela transmiti-o aos seus fãs. Em outubro de 2010, Rowling foi nomeada como a "Mulher Mais Influente da Grã-Bretanha" pelos principais editores de revista e, no mesmo ano, foi classificada como a 40ª pessoa mais poderosa pela revista Forbes.

     Emma é um romance de Jane Austen, que foi publicado pela 1ª vez em dezembro de 1815. Assim como em seus outros romances, Austen relata as dificuldades das mulheres inglesas no início do século XIX, criando através dos seus personagens uma comédia de costumes.
     Na introdução, Austen descreve: "Emma Woodhouse, bonita, inteligente, e rica". Emma, no entanto, é principalmente mimada; ela superestima seu poder de manipular as situações, assim como não percebe os perigos de interferir na vida das pessoas e engana-se facilmente sobre o sentido das intenções e atitudes alheias.
''O romance conta a jornada de uma jovem de vinte anos para o autoconhecimento e maturidade intelectual e sentimental, através de discussões instrutivas, da (circunscrita) variedade das relações pessoais e experiências vividas.''

julho 13, 2017

Opinião: A Praia dos Afogados, Domingo Villar

Título: A praia dos afogados
Autor: Domingo Villar
Editor: Sextante Editora (chancela)
ISBN: 978-989-676-161-5
Nº de Páginas: 424

Sinopse: Uma manhã, o cadáver de um marinheiro é arrastado pela maré até à beira-mar de uma praia galega. Se não tivesse as mãos amarradas, Justo Castelo seria outro dos filhos do mar a encontrar a sua sepultura entre as águas, durante a faina. 
Sem testemunhas nem rasto da embarcação do falecido, o inspetor Leo Caldas mergulha no ambiente marinheiro da povoação, tentando esclarecer o crime entre homens e mulheres renitentes em revelar as suas suspeitas, mas que, quando decidem falar, indicam uma direção demasiado insólita.

     A Praia dos Afogados, é o segundo romance de Domingo Villar, com o inspetor policial Leo Caldas e seu assistente Rafael Estévez. A trama começa quando o cadáver de um homem é trazido pela maré e encontrado a flutuar numa segunda-feira de manhã em uma praia perto do porto de Paxon, uma pequena vila de pescadores ao sul de Vigo. O nome dele era Justo Castelo, um pescador local. Ele foi visto vivo pela última vez no seu barco no início da manhã de domingo. O barco estava em falta. E as suas mãos estão amarradas pelo pulso. O inspetor Leo Caldas e o seu colega Rafael Estévez são enviados para investigar. Uma investigação muito mais complexa irá levá-los a uma direção incomum, ao caso de um naufrágio há dez anos, cujos detalhes não parecem ser inteiramente claros e em torno dos quais evoluíram as lendas mais estranhas. Leo Caldas, sob os olhos céticos de seu assistente, terá que lidar com fantasmas do passado que estão de volta para reivindicar a justiça.
     Além da investigação deste caso, também descobriremos mais detalhes sobre a vida privada de Leo Caldas e a sua relação complexa com o seu pai. Seremos apresentados ao seu tio Alberto, que está hospitalizado. E conhecemos Alba, uma mulher que teve um passado com Leo Caldas. 
     A morte em uma Costa Galega é uma história muito mais estruturada e sólida do que a sua primeira obra. Tem todos os ingredientes necessários para ser um livro atraente: um grande senso de lugar, personagens atraentes e um argumento emocionante. Além disso, está bem escrito. 
Domingo Villar nasceu em Vigo, em 1971, e reside atualmente em Madrid, onde trabalha como guionista de cinema e televisão. Com o seu primeiro romance, Ojos de agua (2006), também protagonizado pelo inspetor Leo Caldas, obteve o I Prémio Sintagma, o Prémio Brigada 21 e o Prémio Frei Martín Sarmiento, e foi finalista em duas categorias dos Crime Thriller Awards no Reino Unido. A praia dos afogados recebeu o Prémio Antón Losada Diéguez, foi finalista do Prémio Novelpol e do Prémio Livro do Ano de Grémio de Livreiros de Madrid, e foi considerado Livro do Ano pela Federação de Livreiros da Galiza. 

julho 06, 2017

Opinião: O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie

Título: O Assassinato de Roger Ackroyd
Autor: Agatha Christie
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892316161
Nº de Páginas: 240

Sinopse: Em Fevereiro de 1972, Agatha Christie escreveu uma carta ao seu editor. Nessa missiva, incluída nesta edição especial, a Rainha do Crime elegeu os dez livros de sua autoria de que mais gostava. O Assassinato de Roger Ackroyd, considerado um «favorito de sempre» pela autora, foi originalmente publicado em 1926 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado para o teatro em 1928, tendo também sido transposto para o cinema em 1931 e para a televisão em 1999.
Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenara o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Quando ela é encontrada morta, ele não se conforma com o relatório médico que aponta para suicídio por overdose. Ackroyd desconfia de algo bem mais sinistro e quer encontrar respostas para as inúmeras perguntas que pairam ameaçadoramente no ar. Mas alguém está disposto a impedi-lo. Nem que, para tal, tenha de o matar.

     Na pequena aldeia inglesa do rei Abade uma viúva rica, a Sra. Ferrars morreu vítima de uma overdose. O seu marido morreu há pouco mais de um ano de gastrite aguda, ajudado pela excessiva indulgência habitual em bebidas alcoólicas. Durante o seu período de luto, ela estava secretamente comprometida com Roger Ackroyd, um rico fabricante. Logo após a morte dela, Roger Akroyd é encontrado esfaqueado até a morte. Estarão estas três mortes relacionadas? Felizmente, um novo e misterioso vizinho está na cidade, um homem curto com uma cabeça em forma de ovo, parcialmente coberto de cabelos negros, dois bigodes imensos e um par de olhos atentos. Hercules Poirot aposentou-se do seu trabalho e mudou-se para o Abade do Rei para cultivar espécies vegetais. A novela é narrada pelo Dr. Sheppard, o médico do Rei Abade, que interpreta o papel do capitão Hastings como assistente de Poirot. Hastings que agora está a morar na Argentina com sua esposa. O livro termina com uma torção de trama sem precedentes. E o seu final inovador teve um impacto significativo no gênero. Muitas vezes é considerado uma das obras-primas de Christie e foi publicado em 1926.
     O assassinato de Roger Ackroyd é uma leitura deliciosa. Considero que é um "must read" para quem está disposto a pegar nos romances de Agatha Christie pela primeira vez. Um livro maravilhoso e muito engenhoso que nenhum aficionado à ficção criminal deve perder. 
Agatha Christie nasceu Agatha May Clarissa Miller, em Torquay, na Grã-Bretanha, em 1890. 
Autora de cerca de 300 obras (entre romances de mistério, poesia, peças para rádio e teatro, contos, documentários, uma autobiografia e seis romances publicados sob o pseudónimo de Mary Westmacott), viu o seu talento e o seu papel na literatura e nas artes oficialmente reconhecidos em 1956, ano em que foi distinguida com o título de Commander of the British Empire. Em 1971, a Rainha Isabel II consagrou-a com o título de Dame of the British Empire. Deixando para trás um legado universal celebrado em mais de cem línguas, a Rainha do Crime, ou Duquesa da Morte (como ela preferia ser apelidada), morreu em 12 de Janeiro de 1976. Em 2000, a 31st Bouchercon World Mistery Convention galardoou Agatha Christie com dois prémios: ela foi considerada a Melhor Autora de Livros Policiais do Século XX e os livros protagonizados por Hercule Poirot a Melhor Série Policial do mesmo século.

julho 01, 2017

TOP: Melhores músicas para ler

Muitas pessoas preferem o silêncio, algumas não se importam com o som de fundo de um programa de televisão enquanto que outras gostam de juntar a leitura com a música.

Entrelinhas sugerimos...
Ben Howard - Old Pine

Lana Del Rey - Ride

Hozier - Work Song


Jason Mraz - 93 Million Miles


James Blunt - Tears and Rain


Milky Chance - Piano Song 

Estas são algumas das músicas que podem encontrar na nossa playlist para momentos de leitura. Com o volume muito baixinho não nos desconcentram, pelo contrário, ajudam nos a relaxar. E tu? Preferes com ou sem música?

junho 29, 2017

Opinião: Meridiano de Sangue, Cormac McCarthy

Título: Meridiano de Sangue
Autor: Cormac McCarthy
Editor: Relógio D'Água
ISBN: 9789896411886
Nº de Páginas: 368

Sinopse: Meridiano de Sangue baseia-se em acontecimentos históricos ocorridos na fronteira entre os EUA e o México em meados do séc. XIX. O autor subverte as convenções do romance e a mitologia do «Oeste Selvagem» para narrar a violência da expansão americana, através da personagem do juiz Holden, que nunca dorme, gosta de dançar, viola crianças dos dois sexos e afirma que não há-de morrer.

     Em Meridiano de Sangue, a ação ocorre durante a segunda metade do século XIX, na fronteira entre o México e o Texas. As autoridades mexicanas e texanas organizam uma expedição paramilitar, o chamado grupo Glanton, para matar tantos índios quanto possível. Tudo muda quando os assassinos de Glanton vão matando índios e puxando os cabelos para exterminar os mexicanos que os pagam. Neste contexto, conta-se a vida de um personagem sem nome (todos lhe chamam ´´o menino``), um vagabundo de quinze anos que está cercado no grupo de mercenários.
     A coisa peculiar sobre este conto assustador é que se apresenta sob a forma de um trabalho épico e que nos remete para a tarefa de forjamento da nação americana: a expansão da fronteira para o oeste e para o sul. Se esse processo for geralmente apresentado sob o dilema civilização-barbarismo, Glanton e seus homens seriam representantes de ordem e bem. Este paradoxo é incorporado em outro dos personagens centrais da novela, o juiz Holden, líder espiritual do grupo, um ser violento e cruel. Um homem enorme, calvo e albino sem pestanas ou sobrancelhas que nunca dorme e gosta de dançar e tocar violão. Ele viola e assassina filhos de ambos os sexos e afirma que ele nunca morrerá.
     É precisamente os enigmáticos monólogos do juiz Holden, em questões como a verdade ou a guerra, que fazem Bloom considerar esse personagem "um vilão digno de Shakespeare". Não menos realizados são os diálogos (breves e precisos), os retratos meticulosos e as descrições poéticas da paisagem desértica. Em suma, esta é uma excelente obra, e leitura essencial para todos os interessados na narrativa atual.
Cormac McCarthy nasceu em Rhode Island, em 1933. Estudou na Universidade do Tennessee, que deixou para ingressar na Força Aérea. 
Vive actualmente em Santa Fé, no sul dos Estados Unidos, com a mulher o filho. É autor de nove romances. Na Relógio D’Água tem publicados O Filho de Deus, O Guarda do Pomar e Meridiano de Sangue. Recebeu o Prémio Pulitzer em 2007.

Podes encontrar a nossa opinião sobre outro dos seus títulos ‘’A Estrada’’, aqui. 

junho 22, 2017

Opinião: O Olhar da Mente, Hakan Nesser

Título: O Olhar da Mente
Autor: Hakan Nesser
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898869128
Nº de Páginas: 272

Sinopse: Por vezes, a verdade está mesmo à nossa frente. Só a justiça é cega.
Uma manhã, o conceituado professor Janek Mitter acorda completamente desorientado no seu apartamento. Com a cabeça a latejar, sem se lembrar de nada da noite anterior, vagueia pela casa até encontrar a mulher, Eva Ringmar, morta na banheira. Apesar de Mitter ter chamado logo a polícia, é considerado o principal suspeito do crime.
Quando o experiente inspetor Van Veeteren é chamado para investigar o caso, duvida imediatamente da simplicidade do mesmo, mas Mitter acaba por ser julgado pelo homicídio da sua companheira e é condenado a cumprir pena num hospital psiquiátrico.
Quando, pouco tempo depois, o professor aparece assassinado no hospício, Van Veeteren reabre o caso e avança com uma investigação às duas mortes. Partindo de uma carta enviada por Mitter pouco tempo antes da sua morte, o inspetor entra numa aterradora viagem a um passado terrivelmente sombrio.

     Situado em Maardam, uma cidade fictícia, localizada em um país sem nome no norte da Europa, a ação ocorre entre 05 de Outubro e 05 de Dezembro. Um professor do ensino médio, Janek Mitter, acorda uma manhã incapaz de se lembrar do próprio nome, com uma ressaca terrível. Ele encontra a porta da casa de banho trancada e lá dentro uma mulher está deitada na banheira, que ele conhece muito bem. Eva Ringmar era sua esposa de três meses. 
     Durante o julgamento, Mitter não se lembra do que aconteceu naquela noite, embora tenha certeza de que ele não matou a sua mulher. Mas o facto de após a ter encontrado, ter telefonado e à polícia e ter limpo o apartamento a pente fino, também não o ajuda. É então considerado culpado e está agora confinado num asilo mental.
     Quando ocorre um segundo assassinato, claramente ligado a este, o inspetor-chefe Van Veeteren é responsável pela investigação. Veeteren fica convencido de que algo ou alguém na vida de Eva causou este duplo assassinato e, ao aprofundar o caso, uma história trágica começa a se desenrolar.
     Os diálogos abundantes tornam este livro fácil de ler e o senso de humor muito peculiar de Nesser torna também uma leitura muito agradável. É um procedimento policial excelente e muito divertido. Um desses livros que capta sua atenção desde o início. 
Håkan Nesser é um escritor sueco, autor de mais de 20 livros, sobretudo policiais, já traduzidos para 20 línguas. A sua obra tem sido galardoada com vários prémios, entre os quais o Ripper (Melhor Ficção Policial Europeia), o Prémio da Academia Sueca de Literatura Policial e ainda o prémio Glass Key (Melhor Romance Policial da Escandinávia).

junho 16, 2017

Eles também gostam de ler... #4

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.

Kate Winslet

     Kate Elizabeth Winslet, (5 de outubro de 1975) é uma premiada atriz britânica. Vencedora de um Oscar, um Emmy, quatro Globos de Ouro, três SAG Awards, quatro BAFTA e um prêmio Grammy. Ela é a atriz mais jovem a receber seis indicações ao Oscar antes dos 31 anos de idade, com sete indicações no total, e é uma das poucas atrizes a ganhar três dos quatro principais prêmios do entretenimento Americano (EGOT). Além disso, Winslet já venceu três prêmios do Sindicato dos Atores, e um prêmio honorário César em 2012.
     Criada em Berkshire, Winslet estudou teatro desde pequena, e começou a sua carreira na televisão britânica em 1991. Ela fez a sua estreia no cinema em Almas Gêmeas (1994), pelo qual recebeu vários elogios. Ganhou reconhecimento pelo seu papel coadjuvante em Sensibilidade e Bom Senso (1995) antes de atingir o estrelato mundial com o romance épico Titanic (1997). Em 2008, o crítico David Edelstein a descreveu como "a melhor atriz britânica de cinema da sua geração". E a sua obra literária de eleição é...

      Thérèse Raquin, romance do escritor francês Émile Zola, é considerada a obra inaugural do naturalismo literário. Ao ser publicada, foi severamente repudiada pela crítica literária especializada. Segundo um dos críticos:
''Estabeleceu-se há alguns anos uma escola monstruosa de romancistas, que pretende substituir a eloquência da carnagem pela eloquência da carne, que apela para as curiosidades mais cirúrgicas, que reúne pestíferos para nos fazer admirar as veias saltadas, que se inspira diretamente do cólera, seu mestre, e que faz sair pus da consciência. (…) Thérèse Raquin é o resíduo de todos esses horrores publicados precedentemente. Nele, escorrem todo o sangue e todas as infâmias…'' (Ferragus).
      Entretanto, o escândalo provocado por Thérèse Raquin entre os críticos trouxe um resultado inesperado: serviu de propaganda aos ideais naturalistas do romance, colocando a recém-nascida escola literária em voga. Sob esse pretexto, a obra obteve uma nova edição no ano seguinte, acompanhada por um prefácio, no qual Zola defende as máximas do naturalismo literário: a necessidade de realizar uma análise científica minuciosa da alma humana, sem idealizações morais. Dessa maneira (nas palavras do próprio Zola) cada capítulo constitui o estudo de um caso curioso de fisiologia.

junho 08, 2017

Opinião: Pequena Abelha, Chris Cleave

Título: Pequena Abelha
Título Original: Little Bee
Autor: Chris Cleave
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892313177
Nº de Páginas: 272

Sinopse: Não queremos contar-lhe O QUE ACONTECE neste livro. Esta é uma HISTÓRIA MESMO ESPECIAL e não queremos desvendá-la.
Ainda assim, vai precisar de saber um pouco mais sobre ela para querer lê-la, por isso, vamos dizer apenas o seguinte:
Esta é a história de DUAS MULHERES. Os seus destinos vão cruzar-se UM DIA e uma delas terá de fazer UMA ESCOLHA terrível, o tipo de escolha que ninguém deseja enfrentar. Uma escolha que envolve vida ou morte. DOIS ANOS DEPOIS, elas encontram-se de novo. É então que a história começa verdadeiramente…

     Eu vou honrar o pedido e não vos vou contar o que acontece. Eu sei que devem estar a pensar, que tipo de review é esta? Mas eu acho que este livro é uma jornada que todos os leitores devem seguir por conta própria. O que eu digo é que o autor Chris Cleave criou uma história poderosa, emocionante e excepcional. A ideia foi inspirada na sua infância na África Ocidental e numa visita a um centro britânico de detenção de imigração. E a personagem da Pequena Abelha conta as suas opiniões sobre o mundo e a vida, de um certo modo doloroso e atraente.
     A narrativa move se entre a Pequena Abelha e Sarah. O que é tão interessante são as suas opiniões diferentes sobre os mesmos eventos. Todos os personagens de suporte, o marido, o amante e o filho de Sarah são escritos poderosamente, e conseguem nos provocar uma forte reação e emoção. Há alguma violência no livro, mas é parte integrante da história. O fim é doloroso, estimulante e dá esperança ao nosso futuro.
     Coisas fortes? Sim, é - mas é um livro que vais ficar feliz por ler. E que poderá te fazer ver o mundo de uma maneira diferente.
 Chris Cleave foi jornalista, colunista, barman, marinheiro, professor e pioneiro da Internet. Incendiário, o seu romance de estreia, foi um bestseller internacional, tendo sido publicado em vinte países e vencido o Somerset Maugham Award em 2006, o Book-of-the-Month Club Award na categoria de primeiro romance e o Prémio Especial do Júri nos Prémios dos Leitores de França em 2007. Foi adaptado para o CINEMA, num filme protagonizado por Ewan McGregor e Michelle Williams.
Pequena Abelha foi um estrondoso sucesso de crítica e público em todo o mundo, tendo liderado a lista de bestsellers do The New York Times e sido considerado um dos melhores livros do ano por diversas publicações, entre elas, o The Independent. Está também a ser adaptado para o cinema, num filme protagonizado por Nicole Kidman.

junho 01, 2017

Opinião: No Canto Mais Escuro, Elizabeth Haynes

Título: No Canto Mais Escuro
Título Original: Into The Darkest Corner
Autora: Elizabeth Haynes
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350884
Nº de Páginas: 372

Sinopse: No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo constante.

     O prólogo do livro abriu com uma transcrição do tribunal que despertou logo o meu interesse. Em que, o Sr. Brightman está a ser questionado sobre o seu relacionamento com a senhora Bailey.
     A história é contada a partir de dois períodos de tempo de 2003 e 2007. E foram necessárias poucas páginas para descobrir que os dois quadros são contados do ponto de vista da mesma pessoa - Catherine Bailey em 2003 e Cathy Bailey em 2007.
     Em 2003, Catherine é uma mulher jovem, cheia de vida que conhece Lee, um porteiro do bar, numa noite. Ele parece ser perfeito - atento, bom na cama, bonito, pensativo e muito mais. Mas, em 2007, Cathy é atormentada pela extrema ansiedade, ataques de pânico e transtornos obsessivo compulsivos. Ela não consegue parar de verificar as portas, janelas e fechaduras. E começamos nos a perguntar o que terá acontecido com Catherine, para tal mudança de personalidade.
     Elizabeth Haynes emprega uma técnica altamente eficaz, desvendando as duas histórias em capítulos alternativos. O perigo em 2003 é insidioso, vai-se construindo lentamente em direção a um clímax, com a tensão aumentando e aumentando. Ao ponto de nos apetecer gritar com Catherine. Em 2007, Cathy está a lutar para conseguir lidar com a vida quando ..... !
     No Canto Mais Escuro está também de parabéns porque trata de assuntos bastante sérios; em que a escritora fez um trabalho perspicaz em descrever os transtornos obsessivo compulsivos e a violência doméstica.
     De algumas críticas que encontrei percebi que muitos leitores não gostaram do livro, mas não sei como. Eu acho que é um thriller psicológico fascinante que conseguiu manter o  meu interesse até virar a última página. (Na verdade, tive alguma dificuldade em não pular para o final no meio do caminho para ver o que aconteceu).  
Um romance de estreia que arrebatou público e crítica e recebeu os prémios Amazon Best Book of the Year 2011 e Amazon Rising Stars 2011.

Elizabeth Haynes é analista dos serviços secretos da polícia britânica. No Canto mais Escuro, que marca a sua brilhante estreia na ficção, foi traduzido em 27 línguas e editado em países como o Brasil, China, Japão, Alemanha ou Estados Unidos, e deixa antever uma promissora carreira literária. Haynes vive em Kent com o marido e o filho.

maio 31, 2017

É já amanhã!!!

O maior evento literário está de volta ao Parque Eduardo VII, em Lisboa.

E como se não fosse suficiente juntar centenas de livreiros e editoras no mesmo espaço,
há ainda um vasto programa de animação e cultura.

- Sessões de autógrafos
- Clubes de leitura
- Poesia
- Animação infantil
- Teatro
- Lançamentos de livros

Conheçam toda a programação aqui.